terça-feira, 14 de setembro de 2010

o cego que nao tinha nome proprio

ESCRAVIDÃO X LIBERDADE



05/ABRIL/2009
SÉRIE: LIBERDADE EM CRISTO
Durante nove semanas examinaremos, à luz da Bíblia, a realidade da batalha espiritual que está em curso neste mundo.  É uma batalha entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas, Deus e Satanás. Seremos chamados a experimentar a liberdade daquele que venceu todas as batalhas, incluindo a escravidão do pecado e a morte, o Senhor Jesus Cristo.  Venha conosco nesta abençoada jornada!
Recomendamos a leitura do livro  QUEBRANDO AS CORRENTES – Neil T. Anderson – Ed. Mundo Cristão.
ESCRAVIDÃO X LIBERDADE
Freqüentemente eu escuto frases como estas:
  • “Eu sou o dono do meu próprio nariz”
  • “Ninguém manda em mim”
  • “Ser livre é fazer o que eu gosto e quero, e ninguém tem nada a ver com isto.”

Será que esta é a verdadeira liberdade?
“Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta que ninguém há que explique e ninguém que não entenda” (Cecília Meireles).
Existe algo que o homem mais ame que a sua liberdade? 
  • Liberdade de consciência
  • Liberdade de expressão
  • Liberdade do preconceito/racismo
  • Liberdade religiosa
  • Liberdade política e social
  • Liberdade de vícios, traumas e maus hábitos
  • Liberdade espiritual.

Deus nos fez livres, mas por nossa própria decisão escolhemos o caminho da escravidão.
No Jardim do Éden havia liberdade completa e felicidade plena. Adão e Eva, criados à imagem e semelhança de Deus, possuíam o livre arbítrio.  Eles sabiam que era uma liberdade com responsabilidade.  Prestavam diariamente contas a Deus, o seu criador.  Até que decidiram quebrar a comunhão com Deus, rebelando-se contra Ele.  Deixaram de servir a Deus para servir ao pecado e a Satanás.  Perderam a liberdade de filhos de Deus e tornaram-se escravos da carne, do mundo e do diabo.
“O homem é escravo daquilo que o domina”. 2 Pe 2.19b
"Digo-lhes a verdade: Todo aquele que vive pecando é escravo do pecado”.    Jo 8.34
O que domina você?  O medo? A dúvida? A angústia? A impaciência?  O ódio? O egoísmo?  Um vício? Um trauma?
Deus quer libertá-lo e somente ele pode fazer isso!
Que hoje você possa dizer, com toda a convicção:
"O SENHOR é a minha rocha, a minha fortaleza e o meu libertador”.  
2 Sm 22.2
Deus não abandonou a raça humana à sua própria sorte. Desde a queda, ele já anunciou a promessa de libertação, de uma nova vida para o homem.  E esta promessa se cumpriu quando Jesus Cristo veio ao mundo, há mais de dois mil anos.
Jesus disse:
"O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor".   Lc 4.18
A Bíblia conta a história de um homem que encontrou Jesus e alcançou liberdade plena.  O nome dele é Bartimeu.  Mateus, Marcos e Lucas registram este episódio.
Bartimeu era cego e morava em Jericó, uma cidade a 25 KM de Jerusalém. 
Características de Jericó:
  • Uma cidade sob maldição (Js 6.26). Foi a maior fortaleza derrubada por Josué e seu exército na conquista da terra prometida(Js 6.20-21).  Herodes, o grande, reconstruiu a cidade e a adornou, mas isso não fez dela uma cidade feliz.

  • Cidade dos prazeres, ali ficava o palácio de inverno do rei Herodes.  Milhares de sacerdotes que trabalhavam no templo de Jerusalém, moravam ali.  Tinha fontes termais e era a cidade da diversão.
  • Às margens do Mar Morto, localizava-se no lugar mais baixo do planeta(400 metros abaixo do nível do mar).  É a maior depressão da terra.  Nada floresce ao lado desse grande lago de sal, que é o Mar Morto.
  • Posto de fronteira e alfândega(Lc 19.2), Jericó era a a última oportunidade de abastecimento de provisões e local de reuniões, em que grupos pequenos se organizavam para a viagem em conjunto. Desta forma, protegidos contra os salteadores de estrada (Lc 10.30), os peregrinos partiam deste último oásis no vale do Jordão para o último trecho de uns vinte e cinco quilômetros, uma subida íngreme de perto de mil metros, através do deserto acidentado da Judéia até a cidade do templo.

Jesus estava indo para Jerusalém. Ele marchava resolutamente para o calvário. Era a festa da páscoa. Naquela mesma semana Jesus seria preso, julgado, condenado e pregado na cruz. Era a última vez que Jesus passaria por Jericó. Aquela era a última oportunidade de Bartimeu. Se ele não buscasse a Jesus, ficaria para sempre cativo de sua cegueira.
A oportunidade tem asas, se não a agarrarmos quando ela passa por nós, podemos perdê-la para sempre. Nunca saberemos se a oportunidade que estamos tendo agora será a última da nossa vida.
Vejamos o texto bíblico:
46 Então chegaram a Jericó. Quando Jesus e seus discípulos, juntamente com uma grande multidão, estavam saindo da cidade, o filho de Timeu, Bartimeu, que era cego, estava sentado à beira do caminho pedindo esmolas. 47 Quando ouviu que era Jesus de Nazaré, começou a gritar: "Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!" 48 Muitos o repreendiam para que ficasse quieto, mas ele gritava ainda mais: "Filho de Davi, tem misericórdia de mim!" 49 Jesus parou e disse: "Chamem-no". E chamaram o cego: "Ânimo! Levante-se! Ele o está chamando". 50 Lançando sua capa para o lado, de um salto pôs-se em pé e dirigiu-se a Jesus. 51 "O que você quer que eu lhe faça?", perguntou-lhe Jesus. O cego respondeu: "Mestre, eu quero ver!" 52 "Vá", disse Jesus, "a sua fé o curou". Imediatamente ele recuperou a visão e seguiu Jesus pelo caminho.  Mc 10.46-52
QUEM ERA BARTIMEU?
  1. Ele não tinha nome -  Bartimeu não é nome próprio. Era o filho de Timeu. Sabia-se apenas quem era o pai dele.  Ele carregava, além da capa, seus complexos, traumas e feridas emocionais abertas.

  1. Era cego e mendigo -  Faltava-lhe luz nos olhos e dinheiro no bolso. Estava entregue às trevas e à miséria. Vivia a esmolar à beira da estrada, dependendo totalmente da benevolência dos outros. Um cego não sabe para onde vai, um mendigo não tem aonde ir.
  1. Estava à margem do caminho - A multidão ia para a festa da Páscoa, mas ele não podia. A multidão celebrava e cantava, ele só podia clamar por misericórdia. Ele vivia à margem da vida, da paz, da felicidade.

Como Bartimeu, hoje também milhões de pessoas vivem na escuridão, na cegueira espiritual, escravos do pecado, sem encontrar o caminho de libertação.
Esta história nos aponta o caminho para sermos realmente livres.
PARA SER VERDADEIRAMENTE LIVRE...
  • CLAME PELO SOCORRO DE DEUS (v.47)

  • Era a última oportunidade daquele homem, pois Jesus não passaria mais por ali.  Nada há mais perigoso do que desperdiçar uma oportunidade.  Com sua cegueira, Bartimeu enxergou mais do que os sacerdotes, escribas e fariseus.  Eles tinham olhos, mas não discernimento.  Bartimeu via com os olhos da alma.  Ele buscou a pessoa certa, Jesus.
  • Chamou Jesus de “Filho de Davi”, seu título messiânico, o que revela que ele reconhecia Jesus como o Messias, enquanto muitos que haviam testemunhado os milagres de Jesus estavam cegos a respeito da sua identidade, recusando-se a abrir seus olhos para a verdade. (“o pior cego é aquele que não quer ver”).

  • Bartimeu chamou Jesus de “Mestre”(rabboni), que também pode ser traduzido por Senhor.  A única pessoa nos evangelhos que usou esta palavra foi Maria(Jo 20.16).  Rabboni era uma expressão de fé pessoal.  Ele compreendia que Jesus tinha o poder e autoridade para dar-lhe visão. Neste último milagre registrado por Marcos, Jesus demonstra amor, misericórdia e graça.
  • NÃO DESISTA FACILMENTE (v.47)

  • Seja perseverante.  Bartimeu foi muito persistente. Nada, nem ninguém, conseguiu detê-lo. 
  • Ele estava determinado a dialogar com a única pessoa que podia ajudá-lo. Seu desejo de estar com Cristo não era vago, geral nem nebuloso. Era uma vontade determinada e desesperada. A multidão tentou abafar sua voz, mas ele clamava ainda mais alto: “Filho de Davi, tem compaixão de mim”. A multidão foi obstáculo para Zaqueu ver a Jesus e estava sendo obstáculo para Bartimeu falar a Jesus. Nem sempre a voz do povo é a voz de Deus, e, geralmente, não é. Aqueles que tentavam silenciar a voz do mendigo faziam-no pensando que Jesus estava ocupado demais para preocupar-se em dar atenção a um indigente. William Hendriksen sugere algumas razões que levaram as pessoas a tentar calar a voz de Bartimeu: Primeiro, as pessoas estavam com pressa de chegar a Jerusalém; segundo, elas concluíram que aqueles gritos não condiziam com a dignidade de Cristo; terceiro, elas não estavam prontas ainda para ouvirem uma proclamação pública de Cristo como sendo “Filho de Davi”; quarto, elas sabiam que os seus líderes religiosos não gostariam nem um pouco disso.
  • Bartimeu não se intimidou nem desistiu de clamar pelo nome de Jesus diante da repreensão da multidão. Ele tinha pressa e tinha determinação. Ele sabia da sua necessidade e sabia que Jesus era o único que poderia libertá-lo de sua cegueira e dos seus pecados.

  • Ele sabia que não merecia favor algum, e apela apenas para a misericórdia de Deus.  Ele não pede justiça, mas misericórdia. Não reivindica direitos, mas pede compaixão.

  • DESPREZE TUDO O QUE O ATRAPALHA(v.50)
  • Logo que Jesus mandou chamá-lo, ele lançou de si a capa e num salto foi ter com Jesus. Há muitos que escutam o chamado de Jesus, mas dizem: “Espera até concluir o que estou fazendo”. Bartimeu demonstrou pressa. Ele desfez-se da única coisa preciosa que possuía. Sua capa era sua roupa, sua proteção, sua cama. Era tudo o que ele possuía para protegê-lo da poeira do deserto durante o dia e o de seu frio gélido à noite. Mas, ele desfez-se de imediato de tudo que o poderia se constituir obstáculo. Para Bartimeu o encontro com Cristo era a coisa mais importante da sua vida. Estava pronto a abrir de tudo para encontrar-se com o Messias.

  • Bartimeu transcendeu a psicologia dos cegos. Ele levantou-se de um salto para ir a Jesus. Os cegos não pulam, elas apalpam. Kierkegaard, o pai do existencialismo moderno, disse que fé é um salto no escuro, mas para Bartimeu, fé é um salto nos braços de Jesus. Champlin diz que Bartimeu deu um salto com a alma, e não apenas com as pernas. Esse salto fala da prontidão com que devemos correr para Jesus.
  • PEÇA COM OBJETIVIDADE(v.51)

  • Bartimeu sabia exatamente o que necessitava. Jesus perguntou para Tiago e João, “o que quereis que vos faça?” Perguntou para o paralítico: “Queres ser curado?”. Quando Bartimeu chegou à presença de Jesus, ele lhe fez uma pergunta pessoal: “O que você quer que eu lhe faça?”. Ele podia pedir uma esmola, uma ajuda, mas ele foi direto ao ponto principal: “Mestre, eu quero ver”. 
  • Aquela era uma caminhada decisiva para Jesus. Ele tinha pressa e determinação. A cidade de Samaria não conseguiu detê-lo. Mas, o clamor de um mendigo o fez parar. Nesse mundo onde tudo se move, o Filho de Davi pára para ouvir o seu clamor. Ele pára para atender-lhe a sua voz.
  • TENHA (v.52)

  • Jesus disse para Bartimeu: “Vá, a sua fé o curou”. Bartimeu creu não por causa da clareza da sua visão, mas como uma resposta ao que ele ouviu. Jesus diagnosticou uma doença mais grave e mais urgente do que a cegueira. Não apenas seus olhos estavam em trevas, mas também a sua alma. Ele foi buscar a cura para seus olhos, e encontrou a salvação da sua alma. William Hendriksen diz que pelo fato de a fé ser, em si mesma, um dom de Deus, é surpreendente que Jesus, em várias ocasiões, louve o recipiente do dom por exercitá-la.
  • John Charles Ryle diz que Bartimeu era cego no corpo, mas não em sua alma. Os olhos do seu entendimento estavam abertos. Ele viu coisas que Anás, Caifás e as hostes de mestres em Israel não viram. Ele viu que Jesus era o Messias esperado, o todo poderoso Deus. Você tem os olhos da sua alma abertos (1 Pe 1.8)?
  • Jesus não apenas perdoa pecados e salva a alma, mas também cura e redime o corpo. Bartimeu teve seus olhos abertos. Ele saiu de uma cegueira completa para uma visão completa. Num momento, cegueira total. No seguinte, visão intacta. A cura foi total, imediata e definitiva.
  • SIGA O SENHOR JESUS(v.52)

  • Bartimeu foi guiado por Cristo.   Ele“seguia a Jesus estrada a fora”. Bartimeu demonstra gratidão e provas de conversão. Ele não queria apenas a bênção, mas, sobretudo, o abençoador. Ele seguiu a Jesus para onde? Para Atenas, a capital da filosofia? Para Roma, a capital do poder político? Não, ele seguiu a Jesus para Jerusalém, a cidade onde Jesus chorou, onde Jesus suou sangue, onde Jesus foi preso, sentenciado, condenado e pregado na cruz. Ele seguiu não uma estrada atapetada, mas um caminho juncado de espinhos. Não o caminho da glória, mas o caminho da cruz. Bartimeu trilhou o caminho do discipulado.
A VERDADEIRA LIBERDADE É SER LIVRE PARA CUMPRIR OS PROPÓSITOS DE DEUS

CONCLUSÃO
Jesus passou por Jericó. Ele está passando hoje também pela nossa vida, cruzando as avenidas da nossa existência. Temos duas opções: clamar pelo seu nome ou perder a oportunidade.  Continuar escravos do pecado e de Satanás, permanecendo na cegueira espiritual, ou ser libertos completamente pelo Senhor Jesus.  
Portanto, se o Filho os libertar, vocês de fato serão livres.
Jo 8.35-36
Na minha angústia clamei ao SENHOR; e o SENHOR me respondeu, dando-me ampla liberdade.  Sl 118.5

Jesus vai hoje passar. Qual vai ser a sua decisão?
Segui-lo ou deixá-lo passar?

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